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| Foto publicada por Neymar em perfil no Instagram |
E mais, teve espertinho ~aka Luciano Huck~ que lançou camiseta com o tema por apenas 69 reais. Praticamente de graça, gente! TU-DO pela causa. Rolou até selfie do apresentador com Angélica, que aparentemente quis sensualizar com a banana (ah, pareceu!). Mas ele disse que reverteria toda a verba arrecadada com a venda do produto para o terceiro setor, depois da chuva de vaias. Por fim, retirou a camiseta do ar e pediu desculpas pela mancada.
Isso tudo mudou o mundo e acabou com o racismo, saiu na Veja. Final feliz. Sigam suas vidas lindas no mundo cor de rosa. Só que não, né.
A ação #somostodosmacacos foi um fiasco, salvo seu grande "impacto social" em mentes rasas que mataram a aula de biologia ou esqueceram que não viemos do macaco, mas de um ancestral comum. Saca a diferença? Além disso, TODO MUNDO SABE que macaco não é elogio para ninguém, pelo contrário, há muito tempo é um adjetivo que deprecia a figura do negro, que fere, e acho que nem precisaria explicar por que, já que todos tiveram aulinhas de história (ou mataram essas também?) que mostraram a forma como os negros foram tratados durante o período da escravidão: como bichos, como coisas. Isso se não veem, ou fingem não ver, o preconceito que nos rodeia todos os dias. E nada ilustra isso tudo de forma mais impactante quanto a história do pigmeu Ota Benga, que ficou em exibição no zoológico do Bronx, em Nova York, junto aos ma-ca-cos, numa jaula.
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| Ota Benga |
Então, parem, por favor. Porque, definitivamente, nunca fomos e não queremos ser todos macacos. Nenhum dos negros com quem eu conversei sobre a campanha curtiu a ideia, pelo contrário. Mas a agência criadora, mesmo abaixo de um milhão de críticas em todas as suas manifestações pelo Facebook, continua dizendo que foi mal compreendida por "alguns", que a ação foi um sucesso, tem-até-gringo-tirando-foto-com-banana, cega em meio a tanta "genialidade". Típico de quem não estuda antes de tocar num assunto tão delicado como o racismo, que merece reflexões consistentes e debates bem mais profundos que um pires.
#SOMOSTODOSHUMANOS

